sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Final de ano

Desejo a todos um Feliz Natal e próspero Ano Novo. Que a cada ano continuemos a nos renovar e crescer, cultivando o Karate e nossos sentimentos fraternos. Muita luz a todos neste final de ano.


Um maravilhoso ano novo!
Abraços!

Osu!!!

Brandel Filho

sábado, 10 de dezembro de 2011

Curso de Kata e Yakusoku Kumite


Convidamos a todos os karateka, dos mais diversos estilos a participar.

Curso de Kata Wado-ryu e Yakusoku Kumite
Dia 17 de dezembro, às 14h
Local: Ginásio 2 da ESEF UFRGS
Investimento R$ 20,00

Será conferido certificado de 4 horas pela participação.

Inicia às 14h e termina às 18h, com intervalo para lanche. Serão abordados os aspectos históricos do estilo Wado-ryu e as nuances presentes nas técnicas, e após, será ministrado um treinamento de Kata básico e avançado, seguido do treino de Yakusoku Kumite, exercício próprio do estilo Wado-ryu.

Contamos com a presença de todos.

sábado, 26 de novembro de 2011

Praticante de Karate ou Karateka?



Osu [押忍]!

É comum o hábito de chamar os praticantes de artes marciais por um nome específico, e o Karate-Dō [空手道] não é exceção, pois quem o pratica é conhecido como karateka [空手家]. No entanto, “karateka [空手家]” e “praticante de karate [空手]” não são termos iguais. Nos países ocidentais não há uma definição muito clara entre estas duas definições, perdendo-se, assim, o significado mais profundo do termo. O segredo disso está nos ideogramas utilizados para escrever a palavra.


Os primeiros ideogramas de karateka [空手家] são simplesmente a escrita do nome Karate [空手], indicando no termo, a ligação com essa arte marcial. O ideograma chave, no entanto, é o que se segue: Ka [家], sufixo que ao ser traduzido literalmente significa "casa", "lar". No entanto, no caso das artes marciais, pode ser interpretado como "especialista", "alguém que se especializou em". Ou seja, um karateka [空手家] é aquele que se tornou "a casa (o lar) onde mora o Karate [空手]".


Partindo disso, podemos entender de fato o que é ser um karateka [空手家]. 


Quando treinamos Karate-Dō [空手道], aos poucos nos tornamos parte dele, bem como ele uma parte de nós. Incorporamos a arte ao nosso dia a dia, passando a agir e pensar de acordo com o que aprendemos ali, seja no treinamento de movimentos ou no conjunto de valores. Quando isso se torna internalizado, não apenas em aspectos físicos, mas mentais e espirituais também, passamos a nos tornar karateka [空手家], pois o que aprendemos no Dōjō [道場] já mora dentro de nós como uma parte essencial. Isso pode ser atingido em tempos diferentes para cada um, de acordo com o nível de comprometimento de cada pessoa. O sufixo "Ka [家]" não depende da cor da faixa ou do número de anos de prática, mas de dedicação e entendimento.


Uma pessoa que treina apenas com o propósito de mudar de faixa e chegar à preta, mas negligencia o estudo da arte que pratica, não passa de um mero “praticante” da arte, enquanto outro aluno (talvez com menor graduação), que praticou e estudou, tornou-se um "especialista" da sua arte. O mesmo pode ocorrer com um graduado que sucumbiu à corrida aos Dan [段], independente de quantos possua.


A diferença entre o "praticante" e um "especialista" é que um aprendeu a fazer os movimentos e se acomodou, enquanto o outro continua a estudar e aprender o máximo que pode. Aqueles que treinam e estudam as suas artes podem ser chamados de Karateka [空手家], pois é esta a verdadeira atribuição trazida pelo sufixo "Ka [家]".

Osu [押忍]!

Brandel Filho [ブランデル フィリオ]


Agradecimentos ao sensei Denis Andretta, pelas contribuições que geraram este texto.

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Referências
MICHAELIS. Dicionário Prático de Japonês-Português. São Paulo: Melhoramentos, 2003.
MICHAELIS. Dicionário Prático de Português-Japonês. São Paulo: Melhoramentos, 2001.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Design e textos

Osu [押忍]!

A participação de nossos leitores é muito importante, pois é através dela que (re)descobrimos novas facetas a serem exploradas nos textos. O uso de caracteres da escrita japonesa, bem como das regras de romanização, foram sugestões externas. O mesmo vale para alguns pontos de diversos textos, que foram alterados.

E porque alterar o texto original?

Essas correções ocorrem para que fique disponibilizado o melhor material possível na internet. Por isso, a participação de vocês é fundamental. E, para comemorar essa nova fase, o site teve seu design renovado. Opine, critique e comente os textos, ajudando este espaço, que é de todos nós, a crescer cada dia mais forte, assim como o nosso Karate-Dō [空手道].

Osu [押忍]!

Brandel Filho [ブランデル フィリオ]

domingo, 30 de outubro de 2011

O Aprendizado no Karate-Do

Osu [押忍]!

Mais que uma forma de luta, o Karate-Dō [空手道] é uma disciplina de desenvolvimento pessoal. Muitos karateka [空手家] se perguntam, “como ocorre esse desenvolvimento se nós só treinamos chutes, socos, bloqueios, esquivas, etc?!”, associando esse desenvolvimento apenas aos aspectos físicos (força, desenvolvimento motor, flexibilidade, entre outras características). De fato, esse crescimento é importante, pois o corpo é a ferramenta pela qual o sensei [先生] começa a trabalhar com seu aluno, mas não a única. Apenas é a mais óbvia.

O trabalho no Karate-Dō [空手道] é uma via interna (mente e espírito) que se dá através da via externa (corpo), pois o praticante deve superar suas próprias limitações físicas para atingir novos patamares e dominar novos aspectos da arte marcial. Essas conquistas são representadas de maneira muito simples, as faixas de graduação para Kyū [級] ou Dan [段]. Há uma diferença muito grande entre essas duas, que será abordada em um texto futuro.

Mas não só de barreiras físicas é forjado o Karate-Dō [空手道]. Quando o aluno entra no Dōjō [道場], faz uma reverência ao local, a qual é repetida ao cumprimentar o professor. Durante uma aula, esse mesmo aluno deve respeitar a figura do professor e as orientações que lhe são passadas, sempre questionando quando ocorrerem dúvidas, claro. Esse é um exercício de etiqueta, no qual exercemos e praticamos nossa educação e respeito ao próximo e a quem nos orienta. Mas, acima de tudo, é um exercício de humildade. Uma ferramenta mais sutil que o treinamento físico, mas sempre presente na prática.

Ao ouvir e respeitar o professor, nos submetemos aos seus ensinamentos. Reconhecemos nele uma figura importante, não por ter maior conhecimento ou habilidades, mas por estar naquele local, à nossa disposição, oferecendo orientações. Mesmo um karateka [空手家] de 5º Dan (godan [五段]) faz reverência ao professor presente no local, independente se este possui uma graduação hierarquicamente inferior de 4º Dan (yondan [四段]), por exemplo. No momento em que nos curvamos para fazer a reverência, reconhecemos que somos aprendizes, não importa nosso grau de instrução.

Há quem não se adapte à estrutura das aulas de Karate-Dō [空手道], as quais possuem um caráter vertical e pouco mais rígido do que outros modelos educacionais. É compreensível, pois, para que o aluno se dedique por completo, é necessário abandonar o egocentrismo e se entregar. Alguns, ao entrar em atividades novas, procuram dar o melhor de si e chamar a atenção do professor e dos colegas. Isso é muito comum dentro de um Dōjō [道場], mas é preciso entender que a aula não é voltada para um aluno específico, e sim para todos.

Nenhum aluno é mais importante que os outros. Nenhum aluno é melhor que os outros. Todos os alunos devem se esforçar igualmente, não para serem melhores ou para se destacar, mas para crescerem dentro de sua própria prática. Além disso, a única comparação que deve existir é consigo mesmo: ao olharmos para o lado, não nos comparamos com o colega, mas procuramos nele qualidades que nos auxiliem a progredir no nosso próprio caminho (Dō [道]).

Esse desprendimento do egocentrismo e entrega à prática é um dos desafios que o karateka [空手家] encara constantemente, independente de sua graduação.

Como podemos observar, são diversos os meios de desenvolvimento do Karate-Dō [空手道]. O mais óbvio deles é a prática física, mas elementos que envolvem respeito, etiqueta, humildade e desprendimento, muito mais sutis, ajudam a compor essa arte marcial.

Osu [押忍]!

Brandel Filho [ブランデル フィリオ]

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REFERÊNCIAS
FUNAKOSHI, G. Karatê-Dó: O meu modo de vida. São Paulo: Cultrix, 2010. 7. ed.
FUNAKOSHI, G. Karate-Dō Kyōhan: The master text. Tokyo: Kodansha International, 1973.

Novo padrão de escrita do site

Osu [押忍]!

Como vocês puderam acompanhar, caros leitores e leitoras, nosso site sofreu uma reformulação em seus textos. A partir de agora a maioria das publicações desse espaço farão uso de ideogramas Kanji [漢字][1] e Kana [仮名][2], portanto, sugerimos que seja instalado no seu computador o "suporte para idioma japonês / Nihongo [日本語][3]" a fim de que seja possível obter uma visualização correta.

Além disso, utilizaremos o sistema Hebon-shiki rōmaji [ヘボン式ローマ字][4] para a transcrição fonética das palavras japonesas. Isso se faz necessário para que a tradução e interpretação de tais termos estejam em conformidade com as normas de adaptação estrangeira. Muitas das palavras não estarão de acordo com a acentuação e regras ortográficas da Língua Portuguesa, e sim, representando o que seria uma pronúncia da Língua Japonesa.

Com isso pretendemos enriquecer os textos aqui disponibilizados, aprofundando mais as discussões e apontamentos. Quaisquer comentários e críticas construtivas serão muito bem recebidos para ajudar na permanente construção do site Mãos do Vazio.

Osu [押忍]!

Brandel Filho [ブランデル フィリオ]

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[1] Kanji [漢字] – Caracteres chineses.
[2] Kana [仮名] – Escrita silábica japonesa.
[3] Nihongo [日本語] – Língua japonesa.
[4] Hebon-shiki rōmaji [ヘボン式ローマ字] – Sistema Hepburn de romanização.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Importância de praticar Kihon

Osu [押忍]!

Como dito previamente em outro texto, o ensino do Karate-Dō [空手道] se fundamenta em três pilares essenciais, sendo o kihon [基本] um deles. Kihon [基本] significa fundamento, base, padrão e no Karate-Dō [空手道] é um treinamento individual, no qual o karateka [空手家] repete os movimentos em busca do aprimoramento.


Os diferentes estilos de Karate-Dō [空手道] possuem kihon [基本] próprios, fundamentados nos modelos propostos por mestres dos estilos primordiais de Okinawa [沖縄] (Naha-Te [那覇手], Shuri-Te [首里手] e Tomari-te [泊手]). O estilo Shōtōkan [松濤館] possui um kihon [基本] com gestos mais retos e pontuais, como característico das linhas Shuri-Te [首里手] e Tomari-te [泊手], influenciadas pelo mestre Ankō Itosu [安恒糸洲]. Tal modelo de kihon [基本] é presente também no estilo Wadō-ryū [和道流], inspirado no Shōtōkan [松濤館]. O Gōjū-ryū [剛柔流] apresenta em seu kihon [基本] uma maior gama de gestos circulares e indiretos, originados da linha Naha-Te [那覇手] de mestre Kanryō Higaonna [寛量東恩納], enquanto o Shitō-ryū [糸東流] é caracterizado por uma mescla de ambas as características. Poderiam ser citados ainda muitos estilos de Karate-Dō [空手道] e de kihon [基本].

O Karate-Dō [空手道] é uma prática de origem guerreira e, como tal, o combate possui um importante papel em seu desenvolvimento. E, para que o karateka [空手家] esteja preparado para o combate, deve ter uma base sólida e estruturada, ou seja, um kihon [基本] firme. Com fundamentos fortes, executa-se um Kata [形] forte e um kumite [組手] forte.


Após alguns anos de prática, é comum ouvir alguns praticantes mais graduados comentarem que o kihon [基本] é um treino muito reto, sem nuances a se explorar e, por vezes, chato. De fato, treinar os fundamentos no Karate-Dō [空手道], tal qual ocorre em muitas outras práticas orientais que tiveram influência japonesa, é algo muito técnico, específico e rígido. Mas isso não deve ser encarado como algo negativo. 


Através dos exercícios de kihon [基本], poderão ser suprimidas as mais elementares deficiências de movimentação e postura, trabalhando simultaneamente a percepção da necessidade de coordenar o corpo, agindo em sintonia com a mente e o espírito. É um processo de desenvolvimento global, no qual toda a energia do karateka [空手家] se encontra a serviço da técnica.


Não se trata apenas de desenvolver o corpo, mas o ser de forma integral. Entendendo o kihon [基本], entendemos que necessitamos de constante polimento e refinamento. Concentrando-se nessa prática, aprendemos a importância do desapego de nossos vícios e a nos manter centrados no caminho do guerreiro.


Reforçando, kihon [基本] significa fundamento. Esquecer ou desvalorizar os fundamentos de sua prática, seja ela qual for, pode significar a estagnação e até mesmo um retrocesso no desenvolvimento. Um médico que não se preocupa com os fundamentos da medicina não salva vidas. Um engenheiro que esquece seus fundamentos, não ergue estruturas. Um karateka [空手家] que esquece o kihon [基本] não é vitorioso na batalha mais importante: aquela que é travada consigo mesmo.


Osu [押忍]!


Brandel Filho [ブランデル フィリオ]

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REFERÊNCIAS

AGUIAR, J. Karatê Shito-ryu: os grandes mestres, os katas, entrevistas. São Paulo: Geográfica Editora, 2008.


CAMPS, H.; CEREZO, S. Estudio técnico comparado de los Katas de Karate. Barcelona: Editorial Alas, 2005.


FUNAKOSHI, G. Karatê-Do Kyohan: The Master Text. Tóquio: Kodansha International, 1973.


HIGAONNA, M. Traditional Karatedo Okinawa Goju-Ryu: Performances of the Kata. Tóquio: Minamato Researchs/Japan Publications, 1986. V.2.


NAKAYAMA, M. O Melhor do Karatê: Visão abrangente, práticas. São Paulo: Editora Cultrix, 2000a. V. 1, 11 v.


REID, H.; CROUCHER, M. O caminho do guerreiro: o paradoxo das artes marciais. São Paulo: Cultrix, 2004.


SHINJYO, K.; SENAHA, S.; ONAGA,Y. Three Major Schools of Okinawa Karate. Lake Forest, CA: YOE Incorporated, 2004. 2 DVD. 


TOGUCHI, S. Okinawan Goju-ryu: Fundamentals of Shorei-kan Karate. Burbank: Ohara Publications, 1976.